Abaixo estão listadas algumas formas de pré-tratamento, tratamento e destinação – práticas mais comuns – para resíduos sólidos urbanos e suas vantagens e desvantagens associadas:
1. TECNOLOGIAS DE PRÉ-TRATAMENTO
A seguir encontram-se algumas tecnologias de pré-tratamento de resíduos sólidos urbanos:
- RECICLAGEM
Este tipo de tratamento envolve várias atividades interligadas e tem como principal objetivo a retirada de materiais diferenciados, o tratamento e o retorno destes ao ciclo produtivo, reduzindo os volumes de resíduos a serem dispostos nos aterros ou enviados a outros tipos de tratamentos finais, viabilizando, desta maneira, a redução de matéria-prima necessária aos processos produtivos industriais. Muitos materiais podem ser reciclados e os mais comuns são vidros de diferentes cores, diferentes tipos de papel, latas de ferro e alumínio, tipos de plástico, madeira e etc.
Vantagens:
Aumento da vida útil dos aterros sanitários; Economia no consumo de energia; Economia no gasto com transporte; Geração de emprego e renda; Otimização da reutilização ou coprocessamento; Preservação de recursos naturais e insumos.Desvantagens:
Transporte para coleta diferenciada; Alteração do processo tecnológico para o beneficiamento, quando da reutilização de materiais no processo industrial.
- LOGÍSTICA REVERSA
A Logística Reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo de vida ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (PNRS – Lei 12.305/2010. Capítulo II, Art. 3º: Definições).
Com a aprovação da PNRS, a necessidade da aplicação da Logística Reversa ficou ainda mais explícita e é citada em todos os planos para implementação da Política: Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Planos Estaduais de Resíduos Sólidos, Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – empresariais. O Artigo 33º da Lei supracitada menciona tal obrigatoriedade:
“São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:
I – agrotóxicos
II – pilhas e baterias;
III – pneus;
IV – óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
V – lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
VI – produtos eletroeletrônicos e seus componentes”.
Vantagens:
Diminuição de materiais a serem coletados e dispostos, de maneira comum; Retirada de produtos potencialmente perigosos da coleta e destinação tradicionais; Economia de recurso ambiental, gerando ganhos financeiros.Desvantagens:
Dependência de acordo entre os diversos setores envolvidos, representados pelo poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes; Falta de sistemas informatizados que se integrem ao sistema existente de logística.- TRITURAÇÃO
Após a segregação prévia, os resíduos são triturados e o produto final pode ser reutilizado ou reciclado. A trituração é uma técnica complementar à reciclagem e à compostagem, além de reduzir a granulometria do material resultante e o custo de transporte. Entretanto, o mecanismo de trituração vai depender do tipo de resíduo a ser processado. Normalmente, os resíduos que são encaminhados à trituração são vidros, pneu e resíduos de construção civil (RCC).
Vantagens:
Desvantagens:
Em determinados tipos de trituração, há alto custo de manutenção e operação, além de um alto consumo de eletricidade.2. TECNOLOGIAS DE TRATAMENTO E DESTINAÇÃO
A seguir são apresentadas algumas tecnologias para tratamento de resíduos sólidos urbanos:
- COMPOSTAGEM
A compostagem pode ser definida como um processo aeróbio e controlado de reciclagem da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos urbanos. A decomposição biológica e estabilização da matéria resulta em composto orgânico, cuja utilização no solo não oferece riscos ao meio ambiente.
Segundo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, a compostagem é uma solução de tratamento e não somente de destinação final. Contudo, do total de 94.335,1 t/d de resíduos orgânicos coletados somente 1,6% é encaminhado para tratamento via compostagem.
Vantagens:
Baixa complexidade na obtenção da licença ambiental; Diminuição da carga orgânica no material/rejeito a ser enviado ao aterro, minimizando os volumes a serem dispostos; Facilidade de monitoramento; Possibilidade de geração de empregos e envolvimento da comunidade do entorno; Tecnologia conhecida e de fácil implantação; Viabilidade comercial para venda do composto gerado.Desvantagens:
Baixa qualidade do composto e consequente dificuldade na comercialização; Geração de odores e efluentes, caso haja manipulação inadequada na produção.
- TRATAMENTO MECÂNICO BIOLÓGICO (TMB)
O Sistema de Tratamento Mecânico Biológico (TMB) é definido como o método de tratamento de resíduos que inclui processos de triagem de inertes e tratamento biológico dos materiais orgânicos, por meio da compostagem ou digestão anaeróbia (Ministério do Meio Ambiente, 2010 apud Arcadis Tetraplan, 2011).
Vantagens:
Aceleração do processo metanogênico da decomposição dos resíduos orgânicos, em virtude da separação dos resíduos pela tecnologia; Menor exposição dos trabalhadores com os resíduos; Possibilidade de maior higienização do espaço de trabalho; Redução de gases do efeito estufa (GEEs) e obtenção de créditos de carbono; Redução de resíduos a serem enviados para disposição final de aterros; Tecnologia conhecida, e de pouca complexidade para obtenção da licença ambiental.Desvantagens:
Composto produzido pode apresentar teores elevados de metais pesados, devido à dificuldade de seleção prévia do material; Por ser instalado em área fechada, o grande acúmulo de partículas em suspensão pode causar problemas de saúde dos trabalhadores.- INCINERAÇÃO
A incineração é uma alternativa de tratamento para redução do volume e do peso dos resíduos sólidos. O processo consiste na combustão dos resíduos à alta temperatura, por meio de excesso de oxigênio, em que os materiais à base de carbono são decompostos, gerando calor; como remanescentes têm-se gases, cinzas e escórias (IBAM, 2001 e SCHALCH et al, 2002 apud Arcadis Tetraplan, 2011). O calor gerado também pode ser aproveitado como forma de produção de energia elétrica e vapor, portanto o processo de incineração também pode ser considerado como um processo de reciclagem da energia liberada na queima de materiais (LANÇA, SILVA, 2007 apud Arcadis Tetraplan, 2011).
Vantagens:
Aplicável a diversos tipos de resíduos; Aumento da vida útil dos locais para disposição final (ex: aterros); Degradação completa dos resíduos e quebra das moléculas dos componentes perigosos; Geração de calor e energia, possibilitando a cogeração; Utilização de pequenas áreas para implantação.Desvantagens:
Alto custo de implantação; Falta de procedimentos normativos por parte das esferas governamentais para obtenção da licença ambiental; Geração de cinzas, que devem ser corretamente dispostas de acordo com a sua composição; Geração de emissões atmosféricas, que devem ser controladas.- PIRÓLISE
Essa tecnologia realiza a destruição térmica de materiais orgânicos, como a incineração, no entanto a diferença entre esses tratamentos é que o processo da pirólise é realizado na ausência total ou parcial de um agente oxidante e absorve calor (FIRJAN, 2006 apud Arcadis Tetraplan, 2011). Assim qualquer tipo de material orgânico se decompõe, dando origem a três fases: uma sólida, o carvão vegetal; outra gasosa; e finalmente, outra líquida, frequentemente designada de fração pirolenhosa (extrato ou bioóleo).
Vantagens:
Área reduzida para implantação dos reatores pirolíticos; Oportunidade de trabalho em centros de triagem; Redução substancial do volume de resíduos a ser disposto.Desvantagens:
Alto consumo de água no processo; Elevado custo de tratamento dos efluentes gasosos e líquidos; Difícil manutenção, que exige constante limpeza no sistema de alimentação de combustível auxiliar, exceto se for utilizado gás natural; Risco de contaminação do ar pela emissão de materiais particulados; Tecnologia pouco difundida no Brasil.
- COPROCESSAMENTO
O coprocessamento é uma tecnologia empregada em países europeus, Estados Unidos e Japão há quase 40 anos. No Brasil, a técnica é utilizada desde o início da década de 90, na qual é realizada a queima de resíduos e de passivos ambientais (efluentes, óleos, solo contaminado, etc.) em fornos de cimento (ABCP, 2010 apud Arcadis Tetraplan, 2011). O coprocessamento utiliza os resíduos como substituição parcial do combustível que mantém a chama do forno, transformando calcário e argila em clínquer, a matéria-prima do cimento, ou seja, essa técnica de destruição térmica envolve o aproveitamento energético dos resíduos ou o seu uso como matéria-prima na indústria cimenteira sem prejudicar a qualidade do produto final (ABCP, 2010; ESSENCIS, 2011 apud Arcadis Tetraplan, 2011).
Vantagens:
Aceitação por parte dos stakeholders; Diminuição de custos com insumos, já que parte dos resíduos substitui a matéria-prima; Não geração de cinzas, pois toda a matéria queimada é incorporada ao produto final; Pouca complexidade para a obtenção de licença ambiental; Viabilidade na instalação se próxima a uma cimenteira; Redução significativa dos resíduos, minimizando os impactos ambientais; Elevado potencial de reaproveitamento energético dos resíduos.Desavantagens:
Inviabilidade na instalação se distantes de cimenteiras; Inviabilidade de coprocessamento para resíduos perigosos devido à sua composição; Necessidade de controle de emissões atmosféricas.3. DISPOSIÇÃO FINAL DE RESIDUOS SÓLIDOS URBANOS/REJEITOS
- ATERRO SANITÁRIO
Segundo a Norma Técnica 8.419 (ABNT, 1987), aterro sanitário é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo sem causar danos à saúde pública e à sua segurança, minimizando os impactos ambientais. Este método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se for necessário.
Um aterro sanitário deve, obrigatoriamente, conter:
- Instalações de apoio;
- Sistema de drenagem de águas pluviais;
- Sistema de coleta e tratamento de líquidos percolados (chorume) e de drenagem de gases formados a partir da decomposição da matéria orgânica presente no lixo;
- Impermeabilização lateral e inferior, de modo a evitar a contaminação do solo e do lençol freático.
Vantagens:
Baixo custo operacional; Oportunidade de associação com outras tecnologias; Possibilidade de gestão consorciada; Potencial de geração de empregos; Tecnologia amplamente conhecida.Desvantagens:
Geração de odores característicos; Possibilidade de exposição e risco aos trabalhadores; Necessidade de grandes áreas para o empreendimento; Resistência por parte da comunidade do entorno; Quando não bem operado pode apresentar os seguintes impactos: - Emissão de GEE, - Possibilidade de passivos ambientais, - Proliferação de vetores e doenças associadas.Há diversas técnicas que podem ser utilizadas para a construção de aterros sanitários, como: trincheira, vala, preenchimento de depressão e aterro para aproveitamento energético. A escolha da mais adequada depende da localização, área disponível, classe e quantidade de resíduos/rejeito, etc.
(Fonte: As informações foram extraídas do estudo técnico desenvolvido pela consultoria Arcadis Logos para o Projeto GeRes, 2011)